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Sinto muito, sentimento
Escrito às 22:52 de
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"Eu sei que pareço frio, mas tenho muitos sentimentos". Foi essa frase que ouvi nessa semana e conferi que não sou o único que pensa assim. Ouvi de um amigo que assim como eu, não parece demonstrar o que sente, mas que completou um ano e seis meses de saudade de um amigo de infância, que falecera. Saudade é o sentimento bom e ruim, triste e alegre, mas que não é nem um nem outro, é a mistura dos dois, totalmente diferente. Junto à nostalgia, a saudade – seja de pessoas, lugares ou momentos –, te remete a reviver as coisas boas, assim como uma criança revive com o maior prazer aquele sonho que nunca lhe ocorreu e que imagina, até que lhe roubem o direito de sonhar e lhe digam que já está muito grandinho para contos de fadas. A saudade é assim, mas não é fantasia, é real. Você passa um filme na cabeça (que muitas vezes surge involuntariamente) de todas as cenas daquela situação, lembra da reação das pessoas e imagina o que elas estiveram pensando no momento. Ao mesmo tempo, você chora porque acabou e não volta mais, e pensa porque não poderia voltar àqueles tempos toda vez que tivesse saudades. Ou que a parte boa de sentir saudade estivesse com você na época em que aconteceu. É difícil explicar, mas essa é o que eu chamo de parte ruim saudosa. Mas voltando ao tema inicial, nem todos são possíveis de demonstrar seus sentimentos aberta e explicitamente. Ou por medo, por vergonha, ou por medo e vergonha de parecer bobo e pegajoso. Aí "acaba", você nunca disse o que sentia e a saudade lhe faz pesar a consciência. Enquanto isso, pessoas sem sentimento algum demonstram exageradamente afetos superficiais e efusividade instantânea e trocam o "bom dia" pelo "eu te amo". É pessoal, viemos ao mundo sem manual.

The humanity is over.

Dois anos. Já está até falando...
Escrito às 00:00 de
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Parabéns. Esse ano não tem festa.

Tenho cara de palhaço?
Escrito às 01:47 de
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“Sua risada é minha satisfação”... Olha o que eu tenho que dizer nesse circo falido, que me atrasa o salário há dois meses. Será que as pessoas realmente pensam que os palhaços são alegres 24h por dia? Poxa, eu não tenho um abastecimento de alegria não. Eu não nasci palhaço também, eu era um executivo estressado e quis mudar minha vida pra melhor, pois já que eu não poderia ser feliz, pelo menos faria os outros felizes. Mas onde está o reconhecimento do palhaço? Eu tiro a maquiagem e ninguém me reconhece mais. Mas mesmo assim, tem uma coisa que não me deixa desistir. É mais do que o sorriso do público, é o sorriso dela, minha querida, que vai em todas minhas apresentações. Aliás, ela ia, porque já não está mais nesse mundo. É triste olhar para a platéia e não a vê-la mais. Chegar em casa e não ter para quem telefonar. Os outros sorrisos, por mais que eu queira, não me importam. E por uma fatalidade do destino, ela morreu... Atropelada... Por um caminhão de circo. Quem agüentaria isso? Tenho orgulho de mim mesmo por não estar pior. Então agora somos só nós dois, meu amigo violão. Saudades de você, mãe.

O Vento
Escrito às 02:18 de
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Vento. O vento que (sozinho) move o moinho. Moinho. O moinho d'água: a azenha que move a água. Água. A água que completa o planeta. Planeta. O planeta que move (morre) as pessoas. Pessoas. As pessoas que praguejam contra o vento. Vento Moinho Água Planeta Pessoas Vento. O que seria do vento sem ter um moinho pra girar? O que seria da água sem uma azenha pra mover ou sem pessoas para agradecer (temer) por bebê-la? A individualidade transpassa (fracassa) a sociedade (calamidade) humana e avança para a comunidade em geral (imoral); as pessoas reclamam da água e do vento quando estes lhe incomodam, dizem que o planeta não é responsabilidade (fatalidade) delas e entre tudo isso, reclamam mais ainda das outras pessoas (à toa). A solidariedade (individualidade) só é lembrada quando você é o necessitado. Ou quando há um interesse maior (algoz) em ajudar. Enquanto isso, o vento (tempo) continua movendo moinhos.

Centésimo post.

GPS Manual
Escrito às 23:51 de
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Enquanto isso no bairro da Liberdade, um vendedor ambulante de mapas:

(Vendedor) – Olha aí pessoal, GPS manual! Olha aí pessoal, GPS manual! Olha aí pessoal, GPS manual! (x1000)

Eu, com uma camisa do System of a Down, olhei para ele. Droga.

– OLHA AÍ SYSTEM OF A DOWN, GPS MANUAL!

Fingi-me de surdo, por mais que ele tenha gritado.

Cinco minutos depois:

(Garoto acéfalo que queria se aparecer para os amigos) – Aê cara, você tem mapa do Jabaquara? Ahahahahaha! (nível de moral: 10)

– Tenho sim.

– Mostra aí então!

– Vai comprar ou vai zoar?

– Eu só quero ver. (nível de moral: 9)

– Pra ver é um real.

– Ahh, então deixa. (nível de moral: 8)

Voltou pra rodinha de amigos.

– Se você não tem um real pra ver, como vai ter vinte pra comprar o mapa? Alguém de vocês empresta dinheiro, já que ele quer tanto comprar!

– Não cara, deixa pra lá, valeu. (nível de moral: 7)

– ...

– ...

– Garoto, quantos anos você tem? Vinte?

– Pô cara, tenho dezenove, tá me tirando? Nem sou tão velho, ahahahahah! (nível de moral: 7,5)

– Então, quando você fizer vinte anos, eu vou fazer vinte e seis só vendendo mapa.

– Ah tá. (nível de moral: 5)

– Quando você nasceu, já fazia cinco anos que eu vendia mapa. Você acha que vai vir aqui se achar o bonzão e zoar um cara que tá trabalhando, mas nem sabe o que falar.

– Foi mal, já falei. (nível de moral: 2)

– Garoto, você gosta de mulher?

– Gosto sim, é lógico! Hahahaha! (nível de moral: 2,5)

– Eu gosto desde que eu nasci, há quase quarenta anos. Você não tem nem vinte, quer me zoar e parece que não gosta de mulher. (Fatality)

(Amigos do lesado) – AHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA!

– Tô indo embora, cara, foi mal. (nível de moral: K.O.)

– ...

– ...

– Olha aí pessoal, GPS manual! Olha aí pessoal, GPS manual! Olha aí pessoal, GPS manual!

Tomou!

Aviso: Post Nojento Sobre Vômito
Escrito às 12:00 de
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Estão avisados, leiam por sua conta e risco. Bom, hoje eu percebi que um pedaço de texto que eu escrevi há algum tempo mudou o rumo desse blog. Tudo começou com:

"[...] Foi pensando nisso que resolvi pensar por que eu nunca tinha pensado em escrever algo sobre ônibus, onde acontecem as piores desgraças que você pode pensar. Já pensou nisso? Então, estava esperando a oportunidade propícia para recitar algo bonito e poético sobre ônibus cheio de pobre."

Até então (10 de março de 2009), eu ainda não tinha escrito nenhum post sobre ônibus. Mas hoje já será o quarto (e cozinha. Ah não, piada ruim aqui não)! Quem sabe o nome não vira Buzão à Milanesa!

Como podem ver dois posts abaixo, em "Nuvem", ônibus é uma das palavras mais usadas aqui no Farofa, então vou mudar um pouco e chamar de Mercedes, afinal o ônibus nada mais é do que uma Mercedes-Benz de 49 lugares. Vamos lá à nojeira!

Vou programar esse texto para ser publicado no futuro (que nesse momento, para você que está lendo, é presente!), mas o "causo" aconteceu na sexta-feira, dia sete. Fui para a aula de teatro normalmente, como toda sexta, e lá um dos meus personagens tinha que vomitar e tal. Depois no metrô, estava comentando com uma amiga que é raro eu vomitar, só quando estou muito doente mesmo. Nunca desconfiaria que tudo isso era um presságio de que minha viagem ia ser uma bosta. Aliás, bosta não, porque era vômito mesmo, e dos bons. Estava felizão de pegar ônibus vazio e que ia chegar em casa cedo. Entrei na Mercedes e fui logo sentar no meu lugar preferido, que é "atrás da porta" (todo mundo tem um lugar preferido né?). Já estava preparando meu iPod pra ouvir música, de repente um cara levanta do lugar dele e fica em pé em frente de onde eu estava sentado. Aí eu pensei: "Esse cara tá passando mal, só pode. Tem vários lugares vazios e ele aí em pé! E ainda tá com os olhos lacrimejando, deve tá mal mesmo e sentado deve ficar pior."

Nesse momento, como já é de costume nas Mercedes de São Paulo, entrou um cara comendo batata-frita num treco que devia ser maior e mais pesado do que um saco de cimento. Aí já viu, foi aquela maravilha de cheiro misturando óleo, ketchup e parmesão, e infestando tudo e todos. Mas tinha que "melhorar", ah se tinha! Tudo isso foi em questão de minutos, e eu já tinha descoberto o porquê do outro cara ter levantado e estar com os olhos lacrimejando: num banco do outro lado do ônibus, ao lado de onde eu estava (separado pelo corredor, ao menos!), tinha outro filhote de cruz-credo vomitando algo que era tamarindo sangue, que parecia limão ketchup, mas que era laranja suco [/chaves]. Era um vômito vermelho, com pedacinhos de comida, parecia Strogonoff, haha! Antes que eu desencadeasse uma seqüência de vômitos, eu já logo mudei de lugar, saí de perto do cara para ir dois bancos à frente dele, grandesmerda que eu fiz. Aí eu liguei o "foda-se" e comecei a ouvir música, mas o cheiro era inevitável. Comecei a pensar o que poderia ser o vômito do sujeito, afinal o que é um peido pra quem tá todo cagado? Se eu já estava sentindo o cheiro e ainda havia a possibilidade daquilo escorrer no corredor inteiro, pensar no que ele engoliu no almoço era o de menos.

Eu realmente acho que era suco. Manja aqueles sucos de um real que todo boteco de esquina vende, que tem sabor de frutas cítricas? Talvez eu estivesse confundindo o cheiro da acidez do vômito com o cheiro de frutas cítricas, mas foi a única coisa que eu conseguia associar ao odor daquela meleca vermelha, que felizmente eu não tinha mais contato visual. Misturado com o aroma da batata-frita, minha olfatividade estava pedindo arrego.

Mas pelo menos teve a parte engraçada da história, que era ver a reação das pessoas que entravam e achavam que tinha lugar vago no fundo, mesmo tendo gente em pé e, quando chegavam lá, voltavam correndo; eu tinha que me segurar pra não rir muito alto. Em certo momento do trajeto, entraram na Mercedes três tribufus, ou melhor, as três graças (a sem graça, a desgraça e a nem de graça) que estavam cada uma, com uns cinco quilos de maquiagem na face. Aquelas porra-lôca, vestindo uns pedaços de pano minúsculos, entraram gritando e fazendo o auê. E os indivíduos de pouca sanidade mental que estavam no ônibus adoravam a balbúrdia, era quase uma relação pedreiro X mulher gostosa, sendo que em questão de probabilidade, alguns até poderiam ser pedreiros, mas a diferença mesmo é que não tinha nenhuma gostosa (e olha que meu grau de exigência nem é tão alto assim). Duas delas sentaram nos bancos atrás de mim, que era o da frente de onde estava o vômito. A mais "barrigudinha de favela" (como já dizia uma conhecida minha), quase sentou no lugar vomitado, e eu, que vou para o inferno, mijava de dar risada. O dono do excremento, que já havia mudado de lugar, ainda tentou avisar o tribufu, mas a voz dele foi abafada pelo grito extremamente agudo dela: "aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaiiiiiiiiii, que nojoooooooooo!!!" Apapu essa mulher, depois dessa eu tirei um lado do fone só para prestar atenção naquela palhaçada. O ônibus inteiro gargalhava e zoava. Mas uma coisa eu aprendi: "não dê risadas dos seus amiguinhos, senhor Daleckzinho!" A gorda sentou do meu lado, que por sinal também estava vago. Só eu mesmo tinha coragem de estar ali tão próximo. Mas meu anjo da guarda é forte, e um minuto depois elas não agüentaram o cheiro e resolveram ir mais pra frente e ficar em pé mesmo.

Nesse momento, faltando uns dez minutos para chegar ao meu ponto, o fedor já fazia parte da minha vida (mas graças a Deus não impregnou na minha roupa). Quanto àquelas coisas que eram mais nojentas do que o vômito, confirmaram minhas suspeitas de que elas iriam para o Expresso Brasil, um puta lugar chato aqui perto que só toca grupo de pagode, sertanejo, axé, forró e funk., também conhecidos como tumor da música brasileira. Elas não sabiam qual era o ponto pra descer e deram sinal errado umas três vezes, aí acho que até o motorista ficou puto e abriu a porta fora do ponto mesmo. Quando elas desceram, os pedreiros comemoravam e urravam, então acho que me enganei quanto a eles, porque parecia que também ficaram felizes quando aquelas hienas saíram. Fiquei curioso pra saber que show elas iam ver, mas quando vi o banner, não fiquei surpreso, era da Tati Quebra Barraco. Cinco minutos depois, na hora que eu fui descer ainda tive que desviar do líquido que escorreu no corredor, como se estivesse num campo minado. Mas pelo menos eu saí daquela bosta (tá bom, eu sei que não era bosta, era vômito).

Chegando em casa, adivinha o que eu jantei? Strogonoff! Bem sugestivo, não?

Mas fica um aviso: vomita na janela, vagabundo, nem que seja pra acertar um motoqueiro!

Tensão Pré Mortal
Escrito às 02:05 de
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− Pare agora mesmo senhora, sou um ladrão e sua bolsa eu vou levar!

− Eu não tenho medo de covarde bobão, dá a sua arma de brinquedo para alguma criança brincar.

− Não duvide de mim, não dê vida a minha raiva, posso te fazer chorar e posso te matar. Mas vou lhe poupar, apenas de posse de seus pertences eu irei ficar.

− Pare de falar como um idiota rimador, como se fosse um novo trovador, sua rima só vai lhe servir no inferno, quando você estiver sentindo dor!

− Sabe com quem tu tá falando, senhora sabe-tudo? Com o primo do Pézão, o chefe da quebrada. Vou chamar ele aqui e seu marido ficará viúvo, e depois também vai ser enrascado numa cilada.

− Sabe com quem tu tá falando? Com a mãe do Pézão, seu Zé Mané. Meu filho vai te fazer chorar, ele vai te queimar, ele vai te apagar, nisso você pode botar fé.

− Foi mal aê senhora, a parada é tranqüila, não queria mexer contigo, muito menos com a sua filha.. Ops, FILHO! Mas é claro que é muito gente fina a irmã do Pézão, apavorar a mina seria traição.

Da bolsa de crochê, a velha tira o presente de aniversário que ganhou do filho, um cano trinta e oito, com o dedo no gatilho. Pá! Pá! Pá!

− Agora você pode rimar defunto com presunto, mané.